Sempre que posso, faço imersões antropológicas, como costumo chamar meus programas menos ortodoxos. São oportunidades que sempre culminam em algo inusitado, como pegar carona no carro do IML, fazer um piquenique com mendigos na ilha central da avenida Paulista ou detectar cheiro de fumaça e bolor numa aula de degustação de vinhos. Ocasionalmente, saio desses experimentos com pintas pelo corpo ou uma estranha alergia a cabernets, mas, de modo geral, tenho sobrevivido bem, obrigada.
Minha mais recente imersão foi uma aula de pole dance, a dança que as stripers fazem no mastro e que leva os homens à loucura. Kate Moss dançou no clipe do White Stripes e não se saiu nada mal. Fiquei sob a orientação da professora Monica Alla, uma circense inveterada que se cansou de tecido e trapézio e foi xeretar o que os artistas de rua estavam fazendo de interessante em Amsterdan.
Passei a noite com outras duas alunas, tentando em vão subir num poste, numa sala com luzes vermelhas. Monica começou a aula com movimentos simples – coisas como girar segurando o mastro com a mão esquerda, depois pegar impulso e ficar de ponta cabeça presa por uma perna enquanto a mão direita prepara um Cosmopolitan. Com muito, muito esforço, consegui me elevar cinco centímetros do chão, mas só durou um segundo e ninguém viu. Tentei uma nova investida com mais ênfase; vai ver, estava faltando convicção. Foi quando entendi porque essa dança não é muito recomendada aos homens. Uma hora depois, estava suada, descabelada, com as mãos doloridas e dois roxos na coxa esquerda.
Mas não posso reclamar: a aula foi muito divertida e, sim, foi bom para mim.
*Este texto foi originalmente publicado no blog Guindaste