– Uatisiorneim?
Eu estava dançando salsa com o rapaz não fazia nem um minuto e a primeira coisa que ele falou foi completamente incompreensível.
– Hein?
– What’s your name?
Putz, estava ferrada.
No final do ano passado, uma big banda cubana esteve aqui no Brasil, na abertura do Congresso Internacional de Salsa. Preparei meu mojito e fui para a festa, pensando em me acabar na pista de dança antes que o run acabasse comigo.
É claro que eu li no folheto que o evento era internacional. Contava dançar com aqueles cubanos de pele morena, com os caribenhos de pernas de mola, com os gentis colombianos de fala mansa. Vá lá, com um brasileiro cheio de ginga. A única coisa para a qual eu não estava preparada foi justo a que me tirou para a primeira dança.
– What’s your name?
– My naime is de book on de taibol – eu respondi, meio sem pensar.
Estava dando um giro lento quando o rapaz – um loiro de olhos azuis e pele improvavelmente branca – me puxou para perto e começou a dançar bem miudinho. Ele me olhou profundamente, acho que procurava alguma coisa no meu córtez cerebral ou nas redondezas. Não entendi nada, mas continuei dançando, feliz da vida. Ele jogou a cabeça para trás e deu uma sonora gargalhada e foi então que eu percebi que devia ter dito alguma bobagem, sei lá, “Costa, Carol Costa” ou alguma outra coisa terrivelmente constrangedora.
A música acabou e o loiro estendeu a mão segurando meus dedos na ponta, fez uma mesura e disse:
– Thank you, little book!
*Este texto foi originalmente publicado no blog Guindaste