– Você perdeu alguma coisa no chão?
– Não.
– Então olha para a frente, cabeça erguida. E não quero pé de bailarina: é para você colocar o calcanhar pra baixo. Nada de pontinha de pé.
– Tá.
– Ainda está pulando muito. Lembre: é suave, um passo em pé, o outro sentada, um em pé, outro sentada.
– Tô-ten-tan-do!-Juu-uuu-uu-ro.-Mas-e-le-es-tá-cor-reee-ee-en-do!!!
– E por que você deixou?
– Deixei? Eu não mando nada aqui.
– Claro que manda! Viu? Ele parou.
– Ele parou porque cansou.
– Esse garotão aqui é velho de guerra, não cansa fácil. Vamos correr mais um pouquinho?
– Hmmm.
– Não precisa ter medo. Estou aqui pra ajudar.
– Mas você está aí embaixo e eu, aqui em cimão…
– Ele não vai te derrubar. Só se você deixar.
– Por-que-ele-tá-cor-reee-en-do-de-no-vo?-On-de-fi-ca-o-freeeee-iiiii-oooo-des-se-trooooo-çooooo?-Eu-queeeeee-ro-a-mi-nha-mãããããããe!!!
– Você está indo muito bem!
– Aaaaaaaaaaaa…
– Cabeça erguida, cabeça erguida.
– …aaaaaaaaaaaaa…
– Muito bem! Está bom por hoje.
– …aaaaaaaaaaaaaaaa!
– Pode respirar.
– Esse cavalo tem instintos assassinos!!! Ele me odeia desde o primeiro segundo em que pôs os olhos em mim!!!
– Relaxa, vocês ainda estão se conhecendo. O trote está ótimo, venha amanhã para eu dar uma olhada no galope.
– Talvez eu não sobreviva.
– E não se esqueça de comprar a roupa.
– Vou poder usar botas? E capacete?
– Claro, fazem parte do uniforme de uma amazona.
– Êêêêêêêêêêba.
*Este texto foi originalmente publicado no blog Guindaste