Consciência corporal é a capacidade de saber exatamente que músculos contrair para virar uma cambalhota ou o que fazer com seus pés ao plantar bananeira. Depois de levar centenas de boladas na cara, sofrer décadas para aprender a dançar e desistir de-fi-ni-ti-va-men-te de freqüentar academias, só posso deduzir que não peguei senha para a fila da consciência corporal.
Na maior parte do dia, sou uma ameaça a mim mesma. Tenho mais arranhões que veterinário especializado em felinos e quase tantos hematomas quanto um lutador de vale-tudo. Aliás, acho que vou me candidatar ao cinturão de ouro: ou mais alguém consegue bater três vezes o cotovelo no mesmo lugar ao passar pela mesma porta, todos os dias? Vou sugerir à Federação Brasileira de Luta Livre que crie uma categoria Contusão, para quem luta consigo mesmo.
Não bastasse essa ficha corrida, inventei de fazer aulas de circo. Minha ilusão de colocar nariz vermelho e jogar bolinhas coloridas para o ar se dissipou logo na primeira aula: o professor exige concentração de enxadrista em corpo de atleta. Palhaçada.
Depois de quatro meses sem conseguir subir mais que meio metro no tecido e atravessando a rua cada vez que um trapézio aparecesse na minha frente, enfim, estou aprendendo a dar mortais. E descobri que consciência corporal não é mesmo meu forte: em três segundos, o tempo que dura sair do mini-tramp, dar um mortal e aterrisar de bunda no colchão, o máximo que dá para pensar é “me impeçam, pelamordedeus!”.
*Este texto foi originalmente publicado no blog Guindaste